- Receita médica válida
- Documento de identidade com foto
- Comprovante de residência
- Cartão do SUS
O Que é a Insulina Glargina no SUS?
Uma mudança importante está acontecendo no tratamento do diabetes pelo Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde iniciou a ampliação nacional da oferta da insulina glargina, uma insulina de ação prolongada que está sendo utilizada na transição gradual de pacientes que atualmente usam insulina NPH. A expansão nacional foi anunciada em julho de 2026. Até 21 de julho, aproximadamente 383 mil tubetes já haviam sido encaminhados para o país, segundo o Ministério da Saúde. Isso não significa, entretanto, que qualquer pessoa com diabetes possa simplesmente comparecer à farmácia e trocar sua insulina. Existem critérios de idade e tipo de diabetes, além da necessidade de avaliação profissional.
➡️ Leia também: ProUni 2026: Quem Tem Direito e Como Conseguir Bolsa de Estudo de Até 100%
Quem Tem Direito à Insulina Glargina Pelo SUS em 2026?
De acordo com as regras divulgadas pelo Ministério da Saúde para a estratégia nacional, atualmente são elegíveis:
Crianças e adolescentes:
- idade igual ou superior a 2 anos e inferior a 18 anos;
- diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 (DM1).
Pessoas idosas:
- idade igual ou superior a 70 anos;
- diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 ou tipo 2.
A Nota Técnica do Ministério da Saúde também inclui novos diagnósticos dentro desses grupos elegíveis. Portanto, uma pessoa de 72 anos com diabetes tipo 2, por exemplo, está dentro da faixa etária prevista na estratégia. Já um adulto de 50 anos com diabetes tipo 2 não está automaticamente incluído nessa etapa da expansão nacional apenas por possuir diabetes.
Atenção: as regras mudaram durante 2026
Esse detalhe é muito importante porque pode gerar confusão ao pesquisar na internet. Quando o projeto começou, em fevereiro de 2026, a fase inicial abrangia quatro localidades — Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal — e contemplava crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. Posteriormente, a estratégia avançou. Em julho, o Ministério da Saúde anunciou a oferta nacional e passou a informar como público-alvo pessoas de 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2, além de crianças e adolescentes de 2 anos a menos de 18 anos com diabetes tipo 1. Por isso, informações anteriores mencionando somente idosos com 80 anos ou mais podem estar desatualizadas.
➡️ Leia também: Quem Tem Direito à Tarifa Social de Energia Elétrica em 2026? Veja Como Conseguir Desconto na Conta de Luz
Como Conseguir Insulina Glargina Gratuitamente Pelo SUS?
O procedimento divulgado pelo Ministério da Saúde é relativamente simples. O cidadão que pertence ao público elegível deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência, levando a receita médica devidamente emitida e carimbada. Pais, responsáveis ou cuidadores também podem solicitar na unidade de saúde a avaliação para substituição da insulina NPH pela glargina quando o paciente estiver dentro dos critérios. Na UBS, uma equipe multiprofissional deverá avaliar a condição clínica e verificar a possibilidade da transição do tratamento.
Passo a passo:
- Tenha uma receita médica válida: A mudança do tratamento precisa de acompanhamento profissional.
- Procure sua UBS: Leve a receita e os documentos pessoais que a unidade normalmente solicita para identificação e atendimento.
- Informe que deseja verificar a possibilidade de transição para a insulina glargina: A equipe verificará se o paciente está dentro do público elegível.
- Passe pela avaliação clínica: Estar dentro da faixa etária não significa que o paciente deva alterar o tratamento por conta própria. A equipe avaliará a situação clínica.
- Receba as orientações: Se a transição for indicada, o paciente e a família deverão receber informações sobre utilização, aplicação e armazenamento da nova insulina.
Preciso trocar a insulina NPH pela glargina?
Não faça essa troca por conta própria. A estratégia do Ministério da Saúde prevê uma transição gradual, acompanhada pelas equipes da Atenção Primária. A avaliação individual é importante porque o tratamento do diabetes depende de diversos fatores, como tipo da doença, controle glicêmico, medicamentos utilizados e resposta do organismo. O Ministério também orienta que o acompanhamento das pessoas em transição terapêutica aconteça prioritariamente na Atenção Primária. Casos de maior complexidade ou dificuldade de controle da glicemia podem demandar atenção especializada.
Portanto: Não interrompa a NPH e não comece a utilizar glargina sem orientação da equipe responsável pelo tratamento.
➡️ Leia também: Como Conseguir Atendimento com Psicólogo Pelo SUS em 2026: Guia Completo
Diferenças entre Insulina NPH e Glargina
A principal diferença está no perfil de ação. A glargina é uma insulina análoga de ação prolongada. Segundo o Ministério da Saúde, na maioria dos casos ela possibilita apenas uma aplicação diária, enquanto outros esquemas podem exigir mais aplicações. A proposta é proporcionar um controle mais estável da glicemia e facilitar a continuidade do tratamento. O Ministério também aponta redução do risco de episódios de hipoglicemia e potencial melhora na adesão ao tratamento entre os benefícios esperados. Isso não significa, porém, que a glargina seja automaticamente a melhor escolha para qualquer pessoa com diabetes. A decisão é clínica e individualizada.
➡️ Leia também: PIS/PASEP 2026: Quem Tem Direito, Como Consultar e Quando Receber
A Caneta Aplicadora Também é Fornecida?
Sim, dentro dessa estratégia de transição. Esse é outro benefício importante. O Ministério da Saúde informa que, juntamente com o medicamento, deverá ser fornecida uma caneta reutilizável para aplicação, além das agulhas necessárias. A caneta reutilizável possui validade prevista de três anos. O paciente também deve receber orientação sobre:
- utilização correta da insulina;
- técnica adequada de aplicação;
- conservação e armazenamento;
- utilização da caneta.
Isso é particularmente importante para crianças, idosos e seus cuidadores.
Disponibilidade da Insulina Glargina nos Estados
A estratégia passou de projeto-piloto para uma implantação nacional. Em 13 de julho, o Ministério informou que mais de 254 mil tubetes haviam sido enviados para 16 estados, juntamente com 52.350 canetas reutilizáveis. A previsão divulgada naquele momento era alcançar todos os estados até o fim de julho. Em atualização posterior, de 21 de julho, o Ministério informou aproximadamente 383 mil tubetes encaminhados para todo o Brasil. Entretanto, existe uma diferença entre distribuição nacional e disponibilidade imediata em cada UBS. Como a transição está ocorrendo gradualmente, pode haver diferenças operacionais entre municípios e unidades de saúde. Por isso, se a UBS ainda não estiver realizando a transição, pergunte à equipe como está funcionando o fluxo da insulina glargina no seu município.
Dúvidas Comuns
Tenho 70 anos e diabetes tipo 2. Posso solicitar?
Se a pessoa possui 70 anos ou mais e diabetes tipo 2, ela está incluída no público elegível divulgado pelo Ministério da Saúde para essa fase da estratégia nacional. Isso, porém, não significa substituição automática. É necessário procurar a UBS e passar pela avaliação da equipe responsável.
Meu filho tem diabetes tipo 1. Ele pode receber?
Depende da idade. Crianças e adolescentes com 2 anos completos até antes de completar 18 anos, diagnosticados com diabetes tipo 1, fazem parte do público elegível. Pais e responsáveis podem procurar a UBS e solicitar avaliação para a possível transição da NPH para a glargina.
Tenho menos de 70 anos. Posso conseguir glargina pelo SUS?
Aqui é necessário fazer uma distinção. A nova estratégia nacional de transição da NPH para glargina na Atenção Primária, tratada neste artigo, possui públicos prioritários específicos. Além disso, o SUS possui Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas e diferentes componentes de assistência farmacêutica. Os critérios de acesso a medicamentos podem variar conforme diagnóstico, indicação clínica e protocolo aplicável. Portanto, uma pessoa que não esteja nas faixas da nova estratégia nacional não deve concluir automaticamente que nunca poderá ter acesso a uma insulina análoga pelo SUS. A orientação mais segura é conversar com o médico e verificar o protocolo correspondente ao caso.
E se a UBS disser que ainda não recebeu a insulina?
Como a implementação é gradual, essa situação pode acontecer. Primeiro, pergunte à própria UBS: “A insulina glargina da nova estratégia do SUS já está disponível neste município? Se não estiver, onde devo procurar informações sobre a dispensação?” A Secretaria Municipal de Saúde também pode informar como está organizado o fornecimento local. Não abandone nem modifique o tratamento atual enquanto aguarda. Continue utilizando os medicamentos exatamente conforme a orientação profissional até que uma eventual mudança seja prescrita e acompanhada pela equipe de saúde.
Por que o SUS está ampliando o uso da glargina?
A expansão também faz parte de uma estratégia de fortalecimento da produção nacional de medicamentos. Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação está ligada a uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) envolvendo Bio-Manguinhos/Fiocruz, a brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee. Em 2025, mais de 6 milhões de unidades foram entregues por meio dessa parceria, e a previsão divulgada pelo Ministério é chegar ao final de 2026 com capacidade de produção de até 36 milhões de tubetes para abastecimento do SUS. Além de ampliar o acesso, a estratégia procura aumentar a segurança do abastecimento do sistema público.
Considerações Finais
A ampliação da insulina glargina pelo SUS em 2026 representa uma mudança importante no cuidado das pessoas com diabetes no Brasil. Nesta etapa nacional, o foco está em crianças e adolescentes de 2 a menos de 18 anos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2. Para quem se enquadra nesses critérios, o caminho começa pela UBS, com receita médica e avaliação da equipe de saúde. E há um detalhe fundamental: a implantação é gradual. Portanto, não é recomendado abandonar ou alterar o tratamento atual caso a glargina ainda não esteja disponível na unidade. A melhor atitude é procurar a UBS, verificar a situação no município e conversar com a equipe responsável pelo acompanhamento do diabetes.
